História do HINO A MONTE SANTO DE MINAS

História do HINO A MONTE SANTO DE MINAS

hino

SÍMBOLOS DO MUNICÍPIO DE MONTE SANTO DE Lei Nº 2.210/2019

HINO A MONTE SANTO DE MINAS

Letra:  Atribuída à Noraldino Lima

                                                              Música: Atribuída à Maria Ruth Luz

No planalto majestoso e altaneiro

Sombreado pela Mantiqueira,

Tu surgiste ufano e fagueiro

Para orgulho da gente mineira.

Bandeirantes, heróis, lutadores

Imbuídos de nobres ideais,

Descobriram essa terra de amores

Com ajuda de braços leais.

Monte Santo de Minas!

De ti não esqueço jamais,

Teus rios e colinas,

Tesouros sem iguais.

A todos encantas e fascinas,

Salve, salve Monte Santo de Minas!

Grandes vultos construíram nossa história

Nos albores da nacionalidade,

E o passado coberto de glórias

Nos faz plenos de felicidade.

Eu que sou filho desse rincão,

Onde a força maior é o labor,

Hei de ter sempre em meu coração,

Essa terra de paz e esplendor.

Monte Santo de Minas!

De ti não esqueço jamais,

Teus rios e colinas,

Tesouros sem iguais.

A todos encantas e fascinas,

Salve, salve Monte Santo de Minas!

Segundo a Professora de História Cléa Lúcia Silva Faria, a referência à serra da Mantiqueira (na letra do hino de monte santo) provavelmente considera algumas ramificações de relevo dos últimos braços da Mantiqueira. No Município de Monte Santo de Minas, as denominações das serras são: Serra de Monte Santo de Minas, onde está edificada a cidade, Serra do Baú e Serra da Bocaina.

 

NORALDINO LIMA

Noraldino Lima nasceu em 12 de janeiro de 1885, em São Sebastião Paraíso. Era filho de Francisco Martiniano de Souza e América Brasilina de Souto Souza (ou América de Souto Lima?). Consta em alguns arquivos que o sobrenome Lima lhe foi colocado, em homenagem à parente da família Ana Jacinta de Lima. Seu pai era funcionário fiscal do estado de Minas Gerais. Noraldino era de origem humilde. Começou a trabalhar muito cedo para ajudar no sustento da família. Desde os dez anos de idade ensinava as primeiras letras às crianças da Fazenda Araras, em São Tomás de Aquino.

Veio para Monte Santo ainda adolescente, quase um menino. Fez o curso primário em São Sebastião do Paraíso e o curso secundário no Colégio “Espírito Santo”, escola de propriedade do Major Américo de Paiva. Nessa escola recebeu as bases de sua educação em direção a uma carreira de grande sucesso. No Colégio “Espírito Santo”, destacou-se pela brilhante inteligência, ocupando sempre os primeiros lugares. Escreveu seu primeiro livro, “Albores”, em 1903, aos 18 anos, quando ainda morava em Monte Santo.

Mudou-se, em 1905, para Juiz de Fora, onde continuou os estudos no Colégio Granbery, conquistando todos os prêmios destinados aos primeiros alunos em sabedoria e aplicação. Para custear os estudos, trabalhou como inspetor de alunos e foi redator chefe do jornal “O Granbery”. Diplomou-se em Farmácia em 1910.

Em Juiz de Fora foi também primeiro secretário da Liga Literária. Publicou, nessa época o livro Meridianas (livro de versos). A partir do ano de 1910, muitos acontecimentos marcaram a vida de Noraldino Lima. Nesse ano, mudou-se para Belo Horizonte, sendo nomeado escrevente da Prefeitura Municipal. Logo depois foi convidado para um cargo comissionado no gabinete de Wenceslau Braz, então presidente do Estado de Minas.   Aprovado em concurso público, foi nomeado escriturário da Secretaria de Finanças do estado, chefiada por Artur Bernardes.

Nessa época casou-se com Djanira Vieira e constituiu família. Teve dois filhos: Paulo Augusto de Lima e Carlos Augusto de Lima. Tendo fixado residência em Belo Horizonte, Noraldino Lima foi professor, ministrando aulas de Geografia em importantes escolas: Colégio Izabella Hendrix, Colégio Dom Viçoso, Instituto Fundamental, Escola de Comércio. Em 1914 formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte, mas continuou seu trabalho de escriturário até 1915, quando tornou-se secretário particular e, posteriormente, oficial de gabinete de Teodomiro Carneiro Santiago, secretário de Finanças do governo de Delfim Moreira.

Noraldino Lima era político e poeta, conhecido como “O poeta da terra natal”. A obra “Vesperais” (1919), uma coletânea de sonetos e valiosa produção poética, foi admirada pela comunidade literária de Belo Horizonte. Essa obra mostra seu estilo literário ajustado ao tempo e ao contexto social em que vivia. Pelo grande valor dessa obra, o poeta foi

admitido como membro da Academia Mineira de Letras. Noraldino vivia um tempo de realizações no trabalho. Sua trajetória política e literária e a vida de grande estudioso caminhavam concomitantemente.  Produziu ainda as obras: “No Vale Das Maravilhas” (prosa – 1925); “Elogio dos Mortos (prosa – 1926); “O Momento Pedagógico” e “Discursos” (1934), nas quais reuniu suas peças de oratória; “O Café no Estado Nacional” (1944); “Pela Educação”.

Ocupou ainda os seguintes cargos:

  • Suplente de deputado estadual de Minas Gerais (1919- 1920);
  • Membro do Conselho Deliberativo de Belo Horizonte (1920-1922);
  • Deputado estadual (1922);
  • Chefe da Imprensa Oficial e Redator-chefe do jornal “Minas Gerais” (1922-1924);
  • Secretário particular do presidente de Minas, Olegário Maciel (1824), mantendo também os cargos na Imprensa Oficial, onde trabalhou até 1826;
  • Diretor da Instrução Pública do Estado de Minas (1927), cargo que deixou para lecionar e exercer a advocacia;
  • Novamente Diretor da Imprensa Oficial do Estado de Minas (1930-1931);
  • Secretário de Educação e Saúde Pública de Minas Gerais (1931-1933);
  • Membro da Comissão Executiva do Partido Progressista (1933);
  • Deputado Estadual (1935-1937);
  • Membro do Conselho Diretor do Departamento Nacional do Café (1937-1944);
  • Membro do Partido Social Democrático, foi eleito deputado federal da Assembleia Nacional Constituinte (1945), mas não exerceu o mandato.
  • Diretor da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro (fevereiro a novembro de 1946);
  • Interventor do Estado de Minas Gerais (17/11 a 12/12/1946);
  • Membro do Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais (dezembro/1946-1948);
  • Vice-presidente do Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais no Rio de Janeiro e depois diretor de sua Carteira Imobiliária.
  • Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais;
  • Presidente da Federação das Academias de Letras do Brasil.

Quando foi Secretário da Educação do Estado de Minas, Noraldino Lima contribuiu para a educação, ampliando o ensino oficial, com a construção de várias escolas em Belo Horizonte e cidades do interior do estado.  Em São Sebastião do Paraíso fundou as Escolas “Cel. José Cândido”, “Francisco Daniel” (Guardinha) e “Termópolis”.

A terceira escola de Primeiro Grau (hoje Ensino Fundamental) de São Sebastião do Paraíso, construída em 1950, foi denominada “Interventor Noraldino Lima” em sua homenagem.

Em Monte Santo de Minas, com a iniciativa do Dr Noraldino Lima, a influência do Dr. Waldomiro de Barros Magalhães, o apoio do presidente de Minas Olegário Maciel e também do prefeito Dr. Pedro Paulino da Costa, foi fundada em 16 de maio de 1932, a Escola Normal Oficial “Américo de Paiva” (atual Escola Estadual “Américo de Paiva”), cujo prédio foi tombado em  26 de agosto de 1988 pela lei municipal nº 1254, sendo o tombamento publicado em 16 de março de 2005.

O próprio Noraldino escolheu o nome de “Américo de Paiva”, para a Escola Normal, em homenagem ao seu grande professor, demonstrando assim sua gratidão ao antigo mestre. A obra cultural de Noraldino Lima estendeu-se à cidade de Arceburgo, onde foi fundado o Grupo Escolar “Cel. Lucas Magalhães”, (atual Colégio “Arceburguense”). É o único imóvel tombado daquela cidade.

Noraldino Lima faleceu em 30 de novembro de 1951, no Rio de Janeiro. Seu nome ficou

gravado na história de São Sebastião do Paraíso, Monte Santo de Minas, Arceburgo e Belo Horizonte.

    “Sabemos apenas que vivemos para morrer aos poucos; dias há, no entanto, em que morremos demais, morremos muito, morremos tanto e tanto, que temos dentro de nós a sensação exata, perfeita, quase concreta, dos desabamentos definitivos.”

(Pequeno trecho recolhido da última obra de Noraldino Lima e publicado por Raul Soares em artigo escrito para o jornal “Minas Gerais”, no ano de sua morte).

 Cléa Faria

(Texto produzido em maio/2007

e reescrito em maio/2017)

 

Fontes: “Paraíso História e Tradições” – Luís Ferreira, “História de Minas” – João Camilo de Oliveira Torres, “Obra Poética de Noraldino Lima” – comentários de Luiz Carlos Pais, Ata de fundação do Colégio Arceburguense cedida pelo professor Sander Rogério Pereira, informações da professora Shirley Preto Gomes de São Sebastião do Paraíso .

 

LIGAÇÃO DE NORALDINO LIMA COM MONTE SANTO DE MINAS

Noraldino Lima considerava a cidade de Monte Santo de Minas como sua segunda terra Natal, pelos anos que aqui viveu e pela oportunidade de estudar no Colégio “Espírito Santo” de Américo Benício de Paiva. O Colégio “Espírito Santo” era uma escola particular. Percebendo a inteligência de Noraldino, Américo de Paiva permitiu que ele lá estudasse gratuitamente. Nas horas vagas Noraldino ajudava em algumas tarefas.

Assim, Noraldino amava esta terra e tinha pelo Professor Américo de Paiva, enorme gratidão. Por isso deu o nome de Américo de Paiva à Escola Normal, fundada em 1932. A letra do Hino a Monte Santo é, muito provavelmente, uma de suas poesias adaptada ao formato de letra de música. Nos versos, é evidente o amor do autor pela cidade de Monte Santo, exaltando suas belezas naturais, fazendo referência a seus rios e colinas. Noraldino fez também referência à história da cidade, lembrando os bandeirantes que vieram à procura de ouro.

Destacou ainda o passado histórico de Monte Santo construída por grandes homens, no caso fundadores e homens de relevante importância para a história da cidade.  A letra é também uma homenagem a Monte Santo.

 

MARIA RUTH LUZ

 

Maria Ruth Luz nasceu em 7 de dezembro de 1928 em Monte Santo de Minas, onde passou sua infância e iniciou seus estudos. Era filha única de Francisco Antônio da Luz e Ana Custódio da Luz. Em 1954 casou-se com Paulo de Cerqueira Luz (também natural de Monte Santo de Minas). Foram morar em Tatuí (SP), onde residiram até o fim de suas vidas. Em 16 de agosto de 1954, Maria Ruth participou da primeira reunião para a fundação do Conservatório de Tatuí, criado em 13/04/1951 por uma lei estadual. Ainda no ano de 1954, o Conservatório Dramático Musical “Dr. Carlos de Campos” foi instalado num antigo casarão pertencente à família Guedes.

Maria Ruth destacou-se como professora de Educação Artística e musicista, ministrando aulas de solfejo, música e artes no Conservatório, onde trabalhou por 11 anos, sendo ainda a fundadora do primeiro coral dessa instituição. Em 1960, Maria Ruth foi eleita para o Conselho Técnico Administrativo, junto com Yolanda Rigonelli e o maestro Spartaco Rossi, entre outros membros.

Maria Ruth lecionou em várias escolas de Tatuí e outras cidades. Músicos importantes e cidadãos tatuianos foram seus alunos. Maria Ruth foi notável compositora e professora de música, sempre dedicada e exigente em seu trabalho.

Com o tempo, uma creche fundada na cidade recebeu o seu nome. Compareceram à cerimônia de inauguração e homenagem, três dos quatro filhos de Maria Ruth Luz e Paulo Cerqueira Luz: Paulo Afonso de Cerqueira Luz, João Gualberto de Cerqueira Luz, Antônio Sérgio de Cerqueira Luz, ainda noras, netos e sobrinhos do casal.

Maria Ruth e Paulo eram um casal artístico. Paulo era negociante, também autodidata, tornando-se pintor e músico amador. Tocava alguns instrumentos de corda: violão, cavaquinho e banjo. Eles são os autores da obra “Tatuí, cidade ternura” (1961), música de Maria Ruth Luz e letra de Paulo de Cerqueira Luz. Em 10/08/1964, a Câmara Municipal de Tatuí aprovou o Projeto de Lei do vereador Aido Luiz Lourenço que estabeleceu a música “Tatuí, Cidade Ternura” como hino do município de Tatuí. Em 11/08/1964, o prefeito Paulo Ribeiro promulgou e sancionou a lei em solenidade pública realizada no salão nobre da Escola Industrial “Salles Gomes”, encerrando a Semana da Música organizada pelo Conservatório.

É muito provável que a música do Hino de Monte Santo de Minas seja uma composição de Maria Ruth Luz, sendo a letra uma adaptação de um poema de Noraldino Lima. Outras obras do casal Maria Ruth Luz e Paulo de Cerqueira Luz: Hino de Caconde, Hino da E.E. José Tomás Borges; Os meninos Cantores, Treze de maio, Criança, Criança e Caridade. Maria Ruth faleceu em Tatuí em 31/10/2010, aos 81 anos, tendo oferecido grande contribuição à história de Tatuí, durante os 56 anos em que viveu naquela cidade.

Cléa Faria    Maio/2017

Fontes que contribuíram para a produção deste texto: Informações obtidas no site da Prefeitura de Tatuí, Wikepédia Enciclopédia Livre, postagem de Henrique Autran Dourado, informações do professor Sander Rogério Pereira.

 

RESSALVA IMPORTANTE

Até o presente momento, a autoria da letra e da música do Hino a Monte Santo de Minas é, respectivamente, atribuída a Noraldino Lima e Maria Ruth Luz, pela tradição oral de muitos anos, fonte histórica aceita e considerada de valor legal para a Historiografia. Porém, a pesquisa sobre a origem do Hino a Monte Santo continua.  Futuramente, caso novas fontes ou documentos mais convincentes, dignos de credibilidade, sejam encontrados e comprovados, poderá ser feita correção.

Podemos afirmar com segurança, que só alguém com conhecimento literário e portador de bagagem cultural poderia ter escrito a letra do hino, como também só uma pessoa culta, conhecedora de música poderia ter feito esta composição musical. Esta observação é um dos argumentos que apontam para Noraldino Lima e Maria Ruth Luz.

Cléa Lúcia da Silva Faria

05/07/2018

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